IA nas Escolas de SP: Entenda a Nova Tecnologia para Correção de Redações em 2026
O sistema de ensino do Estado de São Paulo está passando por uma transformação digital histórica. A partir deste ano de 2026, a Secretaria da Educação (Seduc-SP) amplia o uso de uma tecnologia inovadora para a correção de redações na rede estadual: a integração entre OCR (Reconhecimento Óptico de Caracteres) e Inteligência Artificial.
Mas o que isso muda na prática para os alunos e professores? Confira os principais detalhes dessa novidade que promete agilizar o aprendizado.
O que é a nova tecnologia de correção?
A grande novidade é o uso do sistema OCR. Com ele, os professores não precisam mais digitar ou transcrever manualmente os textos dos alunos.
Digitalização Prática: O professor utiliza um dispositivo (como celular ou tablet) para fotografar a redação escrita à mão.
Conversão de Texto: A IA identifica a caligrafia do aluno e converte o texto manuscrito em formato digital instantaneamente.
Assistência na Correção: Uma vez digitalizado, o sistema "Redação Paulista" utiliza algoritmos para analisar gramática, estrutura e coesão, oferecendo um suporte imediato ao docente.
Por que SP adotou essa mudança?
O objetivo principal não é substituir o professor, mas sim atuar como um assistente virtual. Após um projeto-piloto bem-sucedido no final de 2025, a tecnologia foi expandida para o Ensino Médio e anos finais do Ensino Fundamental em 2026 visando:
Agilidade no Feedback: O aluno recebe o retorno sobre seus erros e acertos muito mais rápido.
Padronização: Ajuda a manter critérios de correção alinhados às competências exigidas em grandes exames, como o ENEM e a Fuvest.
Foco Pedagógico: Com menos tempo gasto em tarefas burocráticas de correção, o professor pode focar em orientar individualmente as dificuldades de cada estudante.
O que aconteceu em 2025?
Houve um período de testes (projeto-piloto) na metade final do ano. Esse teste foi restrito a um grupo específico: cerca de 80 mil alunos do 7º ano em 115 escolas localizadas na capital e arredores.
O que muda em 2026?
Após o sucesso ou a conclusão dessa fase experimental, o recurso deixará de ser exclusivo para o 7º ano. Agora, ele será liberado para:
Todos os alunos do 6º ao 9º ano (Ensino Fundamental II).
Todos os alunos do Ensino Médio.
A redação escrita à mão vai acabar?
Não. Pelo contrário, a tecnologia foi desenhada justamente para preservar a escrita manual, que é essencial para o desenvolvimento cognitivo e exigida nos vestibulares. A IA entra apenas na etapa posterior, transformando o papel em dados para facilitar a gestão do aprendizado.
Exemplos ao Redor do Mundo: Onde a IA já na correção de Redações?
O Brasil não está sozinho nessa jornada. Diversos países já utilizam sistemas de Avaliação Automatizada de Ensaios (AES) para otimizar o ensino:
China: É, atualmente, a maior entusiasta da tecnologia. O país utiliza algoritmos em larga escala para avaliar redações, alcançando níveis de precisão que, segundo as autoridades locais, coincidem com a avaliação humana em 92% dos casos.
Estados Unidos: Pioneiros no uso de ferramentas como o e-rater, utilizado em exames como o GRE e TOEFL. Muitas redes estaduais de ensino básico também aplicam IA para dar feedbacks imediatos aos alunos durante o processo de escrita.
Singapura: Conhecida por seu sistema educacional de elite, utiliza assistentes de IA para ajudar professores a identificar lacunas de aprendizagem e erros gramaticais recorrentes em grandes volumes de textos.
Índia: Com o maior sistema educacional do mundo, o país implementou em 2025 e 2026 sistemas de IA em universidades e escolas para gerenciar a correção de trabalhos em salas de aula superlotadas.
Coreia do Sul: O país investe pesado em "livros didáticos digitais" que utilizam IA para analisar a escrita dos estudantes e sugerir melhorias de vocabulário e estrutura em tempo real.
Curiosidade: Na maioria desses países, a tecnologia é usada como um "segundo corretor". Se houver uma discrepância muito grande entre a nota da máquina e a do professor, um terceiro avaliador humano entra em cena para dar a palavra final.
Opinião do Professor Moisés Castro: A IA como aliada, jamais como substituta na educação
A recente implementação da tecnologia de correção automatizada nas escolas de São Paulo levanta um debate essencial sobre o futuro da docência. Como educador, vejo que a iniciativa é plenamente válida, especialmente pelo potencial de trazer agilidade a um processo que historicamente sobrecarrega o professor: a gestão do tempo de correção. No entanto, é preciso estabelecer limites claros.
A inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de suporte. O uso do OCR para digitalizar textos e algoritmos para identificar erros gramaticais básicos pode, sim, acelerar o feedback ao aluno. Mas a escrita é muito mais que gramática e estrutura; ela é expressão de pensamento, subjetividade e contexto social — elementos que, até o momento, apenas a sensibilidade humana consegue captar e orientar.
"A IA pode contar erros de concordância, mas só o professor consegue ler as entrelinhas e entender a evolução intelectual do seu aluno."
O Limite que não pode ser ultrapassado
Nossa grande preocupação — e esperança — é que essa linha tênue não seja ultrapassada. O perigo reside na possibilidade de a correção humana tornar-se secundária ou, em casos extremos, ser eliminada em prol da "eficiência" burocrática.
O olhar do professor: É o que garante que a correção seja um ato pedagógico e não apenas um "checklist" de erros.
O vínculo aluno-mestre: A orientação personalizada é o que motiva o estudante a melhorar.
Em suma, recebemos a tecnologia com otimismo, mas com a vigilância necessária. Que o sistema "Redação Paulista" venha para nos devolver tempo de qualidade com os alunos, e não para automatizar a educação a ponto de torná-la mecânica e fria.
Link do canal no YouTube do Professor Moises Castro: https://www.youtube.com/@profmoisescastro
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